FESTA DO DIVINO SENHOR DA PEDRA OCORREU HÁ MAIS DE 100 ANOS, NO SANTUÁRIO DA SENHORA DAS FONTES
O Jornal “A GUARDA” Nº683 (sic) 694 pág.003 de junho de 1920, publicou uma local, em que dava conta da festa em honra do “DIVINO SENHOR DA PEDRA”, celebrada no Santuário da Senhora das Fontes no dia 3 de maio, em Santa Eufêmia, no concelho de Pinhel.
Além da festa à NOSSA SENHORA DAS FONTES, cujo Santuário adotou o Seu nome, após a inauguração e bênção em 1771 da atual Capela-Mor, obra levada a cabo pelos Ermitães e que passou de ERMIDA, com a sua humilde e singela Capelinha, várias vezes centenária, a SANTUÁRIO, passando a denominar-se: SANTUÁRIO DA NOSSA SENHORA DAS FONTES. A festa à SENHORA DAS FONTES, quando estas aldeias tinham muita gente, realizava-se no dia 8 de setembro, dia da festa da Natividade de Nossa Senhora e assim foi durante centenas de anos. Com a desertificação destas terras e para que estas festas e romarias possam atrair mais gente, procura-se fazer no domingo mais próximo do dia 8. As festas e romarias, devido a vários fatores, hoje, têm menos gente, as romarias de milhares de pessoas, já não acontecem devido ao despovoamento destas aldeias e tomando como exemplo, a nossa aldeia, terá cerca de 60 residentes e nos anos 1950 os sensos oficiais, dizem-nos que eram cerca de 650 os residentes; também muito por via da exploração mineira, primeiro os minérios; estanho, scheelite e volfrâmio, nas minas de Massueime, este último, o mais duro e muito requisitado para artefactos de guerra. Recordamos que foi nas minas de Massueime que, pela primeira vez, se descobriu o lítio em Portugal, que aparecia em bolsadas e hoje é uma das zonas a concessionar para a sua exploração. Quando estas estavam a encerrar a sua atividade, surgiu a exploração Uranífera, na Mina da Senhora das Fontes de 1957 a 1988, o que fez com que muitos Samarras partissem mais cedo devido “ao mal da mina” assim chamado e mais uma vez aqui fica a nossa homenagem a estes mineiros, que ainda aguardam por um reconhecimento público que perpetue os seus sacrifícios e esta atividade mineira no concelho e que local mais adequado que na aldeia dos acontecimentos, da sua exploração. Com a cessação da exploração mineira, com a emigração e com os nossos jovens a poderem dar continuação aos estudos, em face da força que a as minas deram aos nossos pais e como eles criam para nós outro modo de vida, que não o deles, de escravos do trabalho campesino e mineiro, tudo fizeram para que fossemos estudar e outros fatos, também contribuírem para podermos aspirar a viver outro modo de vida que não o deles e eles poderem apresentar com orgulho os seus filhos e netos, doutores, com um sorriso de orelha a orelha.
Hoje os Samarras licenciados, nas várias áreas do saber e com ADN neste torrão natal, já mais que triplicam os atuais habitantes residentes, sendo a área da saúde, onde podemos encontrar mais licenciados.
Voltando à notícia do Jornal que o Samarra, José Fernandes, me fez chegar e que deu origem a esta prosa, reza a lenda que em; 1780 o pároco de Moreira de Rei (concelho de Trancoso) indo à Quinta das Moitas, sacramentar um enfermo, deixara cair as sagradas partículas no sítio do Souto Coelho, numa rocha e logo começou aqui a aparecer uma luz brilhante que se via ao longe. Isto fez com que neste local se erguesse uma cruz a qual atraia muitos devotos a depositar-lhe ofertas, e sem que ninguém lhe tocasse. Devido à proximidade do local, onde se realiza esta festa, à nossa aldeia, terá sido esta devoção a influenciar a realização desta devoção, ao SENHOR da PEDRA, no nosso Santuário da Senhora das Fontes e que mais tarde também fica conhecida pelo nome de festa do Senhor da Ascensão ou da Espiga, já que se celebravam em datas próximas, 40 dias após a Páscoa. Era nestas festas que os pastores traziam os seus rebanhos à bênção da SENHORA, o que ajudava a embelezar as festas.
Em vista destas devoções o reverendo António da Cunha e Souza, pároco de Moreira e atualmente de Valdujo, coadjuvado pelos habitantes das Casas, aconselhado pelo arcipreste de Trancoso, cónego Francisco Maria Patrício, erigiram aqui a primitiva capela para festejarem a Santa Cruz, hoje Senhor da Pedra. Em 1780 o pároco de Moreira de Rei, João Borges de Campos, querendo transferir essas devoções para a Igreja Matriz de Moreira de Rei, autorizado pelo bispo desta diocese, D. Christovam d´Almeida Soares, mandou cortar a cruz que transferiu para a referida Igreja; mas todos os esforços foram baldados, porque neste lugar continuou aparecendo a mesma luz, e os devotos sucediam-se diariamente.
Com o desaparecimento dos Ermitães do nosso Santuário da Senhora das Fontes, também estas festas deixaram de ter lugar.
Janeiro 2026 (No Blog- “osamarra.blogspot.com”
01-2026) Apaulos
Não fora este Blog "osamarra" em boa hora criado, quantas ; HISTÓRIAS E Fatos" se perderiam para sempre. Bem-Haja a todos os que, com gosto e esforço contribuem para para que, quem nos sucede, aprenda a gostar sempre mais deste TORRÃO NATAL. Quem conhece as origens, sabe de onde vem e com mais rigor decide para onde quer ir. Saudações Samarras.
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