Vai decorrer, nos dias 13,14, e 15 de
fevereiro 2026, a 31ª edição da Feira das Tradições e Atividades
Económicas de Pinhel com o tema
“CAMINHOS DA SAUDADE”
A emigração
Pinhelense pelo Mundo-
Felicitamos os
decisores da escolha do tema, para este certame, nomeadamente a Sra. Presidente
da Camara, Dra. Daniela Capelo e que o sentido desta escolha, seja o primeiro
de outras que estarão prementes, na vontade de muitos pinhelenses, para
recordarem e homenagearem as suas gentes.
Na verdade, a migração. foi na época, a saída possível para aqueles que ficaram desempregados, quando estas aldeias tinham centenas de residentes; em Santa Eufémia, segundo os censos oficiais, andavam na ordem dos 650 residentes e com o términus da exploração mineira, nas Minas de Massueime, em face do fim do conflito da Segunda Grande Guerra e outras e por outro lado, a Mina Urânifera da Senhora das Fontes, só esteve ativa de 1967 a 1982 e os trabalhadores, campesinos e mineiros viram-se sem trabalho para poderem pôr o pão na mesa da família.
O trabalho campesino não chegava para todos e era mal remunerado, pois o trabalho diário de sol a sol era pago a 6 escudos. Muitos garotos, à época, tiveram como padrinhos de crisma, aqueles que podiam dar uns dias a ganhar ou umas courelas de terra a tratar, aos nossos pais, mesmo que de terças.
Nestas décadas de 1960/70, as guerras do Ultramar também fizeram com que alguns procurassem a emigração a salto, sobretudo para França, a fim de escaparem às mobilizações para o serviço militar e embarques garantidos para terras de África em guerra. Para esta façanha da emigração a salto, tinham que procurar passadores para os orientarem e evitarem um mau encontro com a Guarda Fiscal ou com os Carabineiros Espanhóis, mas tudo isto tinha um preço e por vezes também falhavam e ficavam sem o dinheiro e sem atingirem o objetivo da emigração. Ao chegarem ao local de destino e se era o caso, procuravam um conterrâneo que lhe desse abrigo à chegada e o orientasse na legalização e procura de trabalho. Conseguidos estes e depois de estabilizarem e já com local para habitar, mandavam ir a mulher e agora com dois ordenados, estavam criadas as condições para a família também crescer e crescer o número de lusodescendentes espalhados pelos 5 cantos do mundo.
Alguns outros, ainda que com grande sacrifício dos seus pais, que por vezes tinham de se endividar, deram continuidade aos estudos da 4º classe, perspetivando um modo de vida diferente no futuro, que não a emigração ou trabalho escravo dos seus pais. Hoje os doutores Samarras, mais que triplicam os residentes na aldeia e a área onde mais se especializaram foi na área da saúde e os principais heróis destes sucessos são os nossos avós e pais. Estes Samarras passaram a escrever a palavra emigração assim; imigração e o destino foram sobretudo as duas grandes cidades e seus satélites, onde procuraram habitação e trabalho e onde incutiram aos seus filhos os princípios em que foram criados.
O principal destino da migração, sobretudo para a Europa foi a França, mas também emigraram para África e Américas. Hoje os cerca de 2.000.000 de emigrantes portugueses espalhados pelo mundo, encontram-se cerca de 31% em França, 11% na Suíça, 9% nos EUA e outros países de emigração significativa são: Reino Unido, Brasil, Canadá e Alemanha.
Hoje ao percorrermos as aldeias do concelho, é por demais evidente a marca trazida e deixada pelos emigrantes, sobretudo os de primeira e segunda gerações e praticamente não há conhecimento de falhanços, pois foram bem temperados, no trabalho duro dos invernos rigorosos ou dos verões abrasadores e com o querer do sucesso, com que partiram, singraram e hoje podem gozar uma boa e merecida reforma. Partiram com malas de cartão, ou com os parcos haveres enrolados em trouxa e voltaram com bons carros, fruto do trabalho que exerceram e agora regressam para gozarem as moradias que foram construindo, ao invés das casas de pedra sobre pedra, por onde entrava a resquia de sol e saia o fumo da lareira que procurava aquecer a casa, de muitos ao partirem.
Os que ficaram por lá, sobretudo no verão, visitam as aldeias dos seus pais, onde têm as raízes do seu ADN, mas o chão e empregos deles é lá e é para lá que regressam, agora com papo cheio das saudades que mataram.
Há tempos
dizia-me um emigrante Samarra; cujo irmão emigrara para o Brasil e dali para
Toronto-Canadá e que o mandou ir, onde o encontrei; é preciso ser-se emigrante
para sentirem o que são SAUDADES de tudo o que vivemos e vivenciamos, quando
eramos garotos e jovens, mesmo no meio de todas e tantas dificuldades.
Do alto da CN
TOWER, onde a nossos pés se posicionavam e avistávamos vários arranha-céus,
cujo aço ajudou a colocar e com o olhar perdido para além do que avistava, como
se vislumbrasse os caminhos que percorreu, descalço, ou de tamancos já a
roerem-lhe os calcanhares atrás das ovelhas, quando era garoto, ou a subir para
um merouço, para se livrar da raiva do carneiro, por o impedir de cobrir a
borrega que ainda era muito nova para procriar e num desabafo bem sentido:
Vocês não sabem o que são SAUDADES…, não sabem!... Resta referir que empregou
bem os filhos e agora está a ajudar a criar os netos e no verão vem passar
férias ao Algarve em propriedade própria. Um exemplo de muitos emigrantes que
dignificam as suas raízes e este concelho de Pinhel.
PARABÉNS aos
padrinhos da temática proposta e assim estas realidades perdurarão pelos
tempos.
Apaulos.
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