Uma festa com dois mil anos de tradição

Hoje em dia a produção de vinho obriga a que o método da pisa seja mecanizado. As condições ideais de produção e de higiene obrigam a que assim seja.

No entanto, o acto de pisar a uva, foi realizado com os pés durante séculos. O cultivo da vinha remonta a 2000 anos antes de Cristo. Fenícios, Gregos e posteriormente Romanos mantiveram a tradição da produção do vinho na Península Ibérica e desde sempre um recipiente de pedra, a que se chama lagar, é o local onde no final do Verão, ou princípio do Outono se realizaram grandes festas, comemorações das colheitas em honra de Dionísio e de Baco, da transformação do fruto em vinho, em sangue da terra.





O Vinho em Portugal

Pensa-se que as primeiras vinhas tenham sido plantadas no actual território de Portugal, na área entre o Tejo e o Sado, há cerca de  4.000 anos.

Terão sido os Tartessos, povo considerado como o fundador da primeira civilização da Península Ibérica, os primeiros cultivadores de vinha produtores de vinho nesta região do mundo.

Com a chegada dos Fenícios vieram novas castas de uvas e cerca do século X A.C, o vinho português passa para além dos limites da Península.

Os Gregos instalaram-se por cá no século VII A.C. Desenvolveram a cultura da vinha e trouxeram progressos para a produção do vinho.  O culto a Dionísio (Deus do vinho) faz com que a pisa da uva seja uma grande festa.

Os Celtas introduziram novas castas de uvas na Península Ibérica e também eles se mantiveram fieis à tradição do cultivo, da produção e dos festejos.

Os Romanos chegaram à Península Ibérica cerca do século II A.C. e contribuíram para a modernização da cultura da vinha. A uva era pisada com os pés em grandes “tanques” de pedra. Dionísio deu lugar a Baco, no panteão dos Deuses e a tradição da festa manteve-se.

Com a queda do Império Romano o vinho continuou a ser produzido pelas civilizações que se seguiram e a celebração das vindimas continuou, agora respondendo às práticas cristãs.

O ano de 1143 da era cristã, é o ano zero para o novo reino de  Portugal. O vinho era então bebida de reis e com o passar dos séculos tornou-se no produto mais exportado.

Um grande aumento das exportações de vinho começou a segunda metade do século XIV, fruto da aliança luso/britânica e da abertura de rotas comerciais com o Norte da Europa. Já nesses tempos os vinhos exportados a partir do Porto tinham grande fama.

Nos séculos XV e XVI, com as descobertas Portuguesas, as caravelas carregavam sempre vinho.

E, 1703, a celebração do Tratado de Methuen trouxe um novo incentivo ao comércio entre Portugal e Inglaterra.

Em 1756 o vinho do Porto era então famoso e das necessidades de proteger um produto ímpar, nasce a primeira região demarcada do Mundo, a Região Demarcada do Douro.




Curiosidade

Com o desenvolvimento das exportações de vinho do Porto iniciou-se a prática de lhe adicionar aguardente. Assim, o vinho resistia inalterado à viagem no mar e a paragem da fermentação com a aguardente tornava o vinho mais adocicado e apropriado ao gosto do mercado inglês.


As Regiões Demarcadas Portuguesas

Portugal possui doze regiões demarcadas, sendo duas classificadas pela UNESCO como “Património Mundial”.

Região Demarcada do Douro

Região Demarcada do Pico

Partindo do centro do Porto, a menos de 1h30 de carro, são encontradas quatro das mais importantes regiões demarcadas portuguesas.

A Região dos Vinhos Verdes, que abrange o Minho e parte do Douro Litoral; a Região Demarcada da Bairrada, ao norte de Coimbra; a Região Demarcada do Dão, em plena Beira-Alta, entre as serras do Caramulo e da Estrela e por fim a Região Demarcada do Douro.


fonte: avindima
fotos: Samarra 



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